Como é assistir a um jogo de futebol na Bulgária
Para quem gosta de futebol e ama viajar, assistir a uma partida em outro país pode ser um programão. Em minha mais recente viagem à Europa, fui conferir um pouco do futebol búlgaro. Vou contar como foi assistir a um jogo de futebol no Estádio Nacional de Sofia, capital da Bulgária.
Eu estava em fim de viagem. Era meu último dia de trip em solo europeu. Meu retorno para o Brasil seria no dia seguinte, à tarde e estava com saudade de assistir um jogo de futebol no estádio.
Como viajei em junho e começo de julho, época de pausa nos campeonatos europeus, não tive a oportunidade de ver uma partida de futebol em nenhum lugar por onde passei.
Antes de desembarcar em Sofia, passei por Frankfurt (Alemanha), Kiev (Ucrânia), Vilnius e Trakai (Lituânia), Minsk e Brest (Belarus), Varsóvia (Polônia) e cruzei o Chipre de ponta a ponta.
Quando estava em Belarus, o campeonato local estava acontecendo, mas justo nos meus dias por lá, não houve jogo onde eu estava. Nos demais países, o futebol estava paralisado (férias).
De surpresa fui assistir a um jogo de futebol na Bulgária
Caminhando por Sofia e totalmente desencanado de ver futebol, vi um grupo de pessoas com camisas iguais. Um segurava um cachecol (faixa) e outro levava o mesmo acessório no pescoço.
Resolvi me aproximar e perguntar se eram camisas de time de futebol e de qual equipe. Eram torcedores do Lokomotiv, equipe búlgara da cidade de Plovdiv, a cerca de 150km da Capital Sofia.
Estavam “aquecendo” para entrar no Estádio e acompanhar a partida entre o Lokomotiv Plovdiv e o Ludogorets, este último o clube mais famoso da Bulgária que participa da Europa League e até da Champions.
Perguntei onde e quando seria o jogo, se ali mesmo em Sofia ou se estariam se reunindo para assistir em um bar. Quando percebi já estava falando de meu time, do Pelé e de futebol mundial.
Foi um papo rápido, mas que me deu a oportunidade de conhecer mais um estádio pelo mundo e observar o comportamento dos torcedores, a organização e o futebol de um país tão distante do nosso.
Realmente o jogo seria ali, na capital, pertinho de onde eu estava e dali a poucas horas. Como já havia visitado o que achava principal para pouco mais de 24 horas em Sofia, resolvi assistir ao jogo no estádio, ver de perto como é o futebol na Bulgária.
A distância do meu hotel e a facilidade de locomoção que Sofia proporciona favoreceram a decisão.
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Antes do jogo…
Como não sabia ao certo como seria o esquema de segurança nem conhecia o comportamento das torcidas, evitei usar a camisa de meu time do coração e da Seleção Brasileira.
Comprei o ingresso em um container específico para venda de entradas – não havia bilheterias disponíveis naquele momento, provavelmente para evitar a aglomeração de torcedores no entorno do Estádio.
O ticket custou 10 Lev, algo em torno de 23 Reais. Me peguntaram se eu era da torcida do Lokomotiv ou do Ludogorets. Respondi Ludogorets, pois acreditava que seria a maior parte do público. Me enganei. Falo mais sobre isso daqui a pouco.
Com o ingresso na mão, fui à procura do portão de entrada de meu setor. A polícia fazia a segurança de toda a área ao redor do Estádio e controlava de forma rígida a aproximação das torcidas.
Perguntando para um e para outro guarda, finalmente localizei meu portão. Acredito que qualquer portão que tentei atravessar levava para o mesmo lugar, ou próximo. Mas, já sabe, né? Território desconhecido, siga as regras locais.
Passei por duas revistas. Tive que mostrar duas vezes meu passaporte. Os policiais sorriam e falavam algo em búlgaro um para o outro. Não entendi nem fazia questão. Mas fui muito bem tratado.
Na última barreira, bati um papo rápido com o policial que se disse fã do futebol brasileiro. Eu, devolvendo o carinho, falei que lembro do time incrível que a Bulgária tinha na Copa do Mundo de 1994.
Falamos nomes de jogadores brasileiros e búlgaros, nos despedimos e ouvi um “hasta luego”. Entrei.
O jogo
Toda a expectativa de grande público, de perigo, de ambiente tenso ficou do portão pra fora. Como podemos ver na foto abaixo, o estádio estava com mais da metade vazia. Vi que seria tranquilo assistir a uma partida de futebol na Bulgária.
Lá dentro, acomodado em qualquer lugar (não havia marcação), me dei conta que estava prestes a assistir à decisão da Supercopa da Bulgária. Era a final do campeonato. Era jogo de título! Mas tava vazio…
Foi aí que lembrei que o Ludogorets é da cidade de Razgrad, a mais de 300 km de Sofia (olhei no Google Maps para saber a distância). Então, apesar de ser o mandante, tava explicado o motivo da pequena torcida.
Já a organizada do Lokomotiv Plovdiv fez barulho durante todo o jogo, entoando cânticos e gritos de incentivo ao time (provavelmente, pois não entendi nada).
Veja o video abaixo
O primeiro tempo teve um gol do Ludogorets logo no começo. O resto foi morno, igual a Coca Cola que comprei no intervalo.
Não vendiam – ao menos naquele dia – refrigerante ou água gelada. E era verão, calor o dia inteiro. Não sei como era a cerveja. Se bem que não lembro de ter visto cerveja dentro do Estádio.
Para comer, nada além de pipoca e croissant da marca ‘7 Days’, muito comum na Europa (já comi na Croácia, Eslovênia, Chipre e estava enjoando dele ali, naquele momento, na Bulgária).
Continuando com o jogo…
O Ludogorets fez mais um gol nos acréscimos do segundo tempo e se sagrou campeão, da Supercopa da Bulgária. O troféu é disputado em jogo único.
Ao que tudo indica, o jogo ocorre em território neutro, e envolve o clube que venceu a primeira divisão búlgara na temporada que terminou no ano da partida (o campeonato termina em maio) e o titular da Copa da Bulgária naquele momento – fonte: Wikipedia. Eu não tinha a menor ideia.
Tive uma surpresa no decorrer do segundo tempo do jogo, quando o sono já estava batendo. Olhei para minha esquerda e vi um menino, de aproximadamente 10 anos de idade, segurando uma cartolina.
Tive a impressão de ter visto algo verde e amarelo. Conferi mais de perto e lá estava o pequeno torcedor com um desenho de metade da bandeira do Brasil e metade da bandeira da Bulgária.
O cartaz trazia, ainda, um nome escrito em alfabeto cirílico. Me aproximei do garoto e de seu pai e, com a ajuda do mestre Google Tradutor, trocamos algumas palavras.
Soube que era uma homenagem ao ídolo do menino, o jogador brasileiro naturalizado búlgaro Marcelinho, o camisa 84 do Ludogorets e titular da Seleção da Bulgária.
Coisas que só o futebol nos proporciona. Conversar com pessoas que falam e escrevem totalmente diferente de nós, mas que falam a mesma língua, a língua da bola e da chuteira. A linguagem do amor pelo futebol é universal. Muito obrigado FUTEBOL!
Na saída do estádio…
A saída foi demorada. Muito demorada. Tive que esperar cerca de uma hora para poder deixar o Estádio. A torcida do Lokomotiv foi liberada antes.
Provavelmente por questões de segurança, liberaram os presentes no setor do Ludogorets (eu tava lá) apenas quando o movimento dos alvinegros de Plovdiv se dissipou. Tudo tranquilo.
Até que não foi tão ruim. Enquanto aguardava ordens da polícia para deixar as arquibancadas, pude acompanhar a cerimônia de premiação do time campeão. Rolou o manjado “We Are the Champions”, canção imortal da banda também imortal ‘Queen’.
Tentativa de saída frustrada
Antes de perceber que não poderia sair, logo que acabou o jogo, me dirigi para o portão. Realmente percebi que mais ninguém fez tal movimento. Mas fui.
Parei em frente ao portão e pedi para sair. O policial me olhou com cara de desentendido, falou algumas coisas em búlgaro. Eu argumentei em inglês. Ele aumentou a voz em búlgaro. Eu recuei.
Depois dessa, esperaria o tempo que fosse.
A festa da torcida já tinha acabado, as coisas esfriado e estávamos lá, parados. Os búlgaros me olhavam.
Um senhor falou algo comigo. Eu apenas sorri, pois tentar entender búlgaro não é meu forte. Ele também sorriu. Acho que comentou algo engraçado. UFA! Acertei na reação!
A saída (agora sim)
Quando finalmente fomos liberados para deixar o estádio, observei o ônibus do Ludogorets. Resolvi me aproximar para ver como é a relação dos jogadores com a torcida.
Consegui ver o garoto fã do jogador “búlgaro-brasileiro” ser recebido por seu ídolo. Tirei a foto abaixo com a autorização do Marcelinho e do pai do pequeno torcedor.
Como amo futebol e já que estava ali, na frente de alguém que falava meu idioma, bati um papo com o camisa 84 do Ludogorets e registrei o momento.
Ele está na Bulgária há cerca de oito anos, por isso o vi falando em búlgaro com os torcedores. Me pareceu bastante gentil, pois atendeu todos que pediram fotos, inclusive eu.
O Marcelinho é ídolo na Bulgária. Os torcedores do Ludogorets demonstravam ter bastante carinho pelo brasileiro. Perguntei: “tu é ídolo, hein!” Ele sorriu e me respondeu: “acho que sim, né!”, sorrindo e olhando para o garoto que, infelizmente, não sei nem o nome.
Valeu a pena!
Essa foi minha experiência assistindo a uma partida de futebol na Bulgária, um país que coloquei por acaso em meu roteiro e onde tive bela surpresas.
As coisas na Bulgária são um pouco diferentes, mas nada demais para quem está acostumado com estádios aqui no Brasil.
Com relação à segurança, eu me senti seguro todo o tempo que estive próximo ao estádio, durante o jogo e na saída.
A melhor parte foi a recepção do povo búlgaro a um turista brasileiro. Policiais, staff da partida, torcedores e até mesmo um ídolo da seleção da Bulgária me trataram super bem e me fizeram sentir à vontade.
Um orientador (daqueles que aqui no Brasil usam coletes laranja e ficam auxiliando os torcedores na entrada e saída) comentou várias coisas sobre o jogo que estávamos assistindo. A barreira idiomática complicou um pouco o papo, mas nos entendemos bem com nosso inglês cheio de sotaques e deslizes.
Várias surpresas boas em um único dia. E o carinho pelo Ludogorets, que eu já tinha (gosto muito da camisa deles), aumentou e agora sigo também a Seleção Búlgara, esperando que ela reviva seus melhores dias.